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PESSOAS QUE ANDAM NA CHUVA SÃO MAIS FELIZES

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A arte do equilíbrio

Caiu uma tempestade daquelas aqui na região. Acredito que choveu em três dias o equivalente há um mês inteiro. E no meio dessa chuva, continuamos trabalhando, porque às vezes a vida não pode parar completamente… Assim, eu vinha andando, melhor, eu vinha correndo, saindo do estacionamento do meu trabalho como se estivesse fugindo de um cachorro enorme e faminto de mim.

Eu pulava as poças, reclamava da barra da calça – naquela altura completamente suja – e amaldiçoava a sapatilha, que parecia mais molhada que o chão. Sem contar a sombrinha, que de tão pequena não protegia as costas se eu cobria na frente e não protegia a frente se eu cobria nas costas. Não sei por que a gente compra aquilo…

No fim, sã, mas nem tão salva assim, cheguei à sala.

Sentada, acomodada e tentando secar os pés, vi pela janela uma pessoa passar calmamente, tranquila, pelo mesmo que caminho que eu. Exatamente o mesmo caminho que eu! Sem guarda-chuva, ela vinha, como se desfilando, aproveitando o momento, andando devagar e dela, sem precisar pular as poças, já que elas pareciam sair da frente sozinhas, dando gentilmente licença para que ela passasse. Uma cena impossível de descrever. Era a calma personificada, materializada naquele momento, naquela pessoa. Foi realmente impressionante!

E eu ali… ainda secando os pés!

Pensei então nas vezes em que passamos, assim como eu, com urgência e ira pela vida. Principalmente nos momentos em que ela parece desmoronar. É como se fizéssemos castelos, imensos e incrivelmente fortes de areia, mas ao ver o mar, na menor possibilidade de onda, nós mesmos destruímos suas torres. Nós mesmos roubamos o esforço que fizemos. Nós mesmos deixamos o hoje para amanhã.

Entendi que era tudo uma questão de equilíbrio, uma questão de jeito, uma forma serena e doce de voltar sempre ao centro de nós mesmos quando o mundo ao nosso lado parece incerto e desconhecido. Porque assim como os dias, às vezes, a vida chove e alaga e suja e irrita, mas ainda assim, podemos andar tranquilos, calmamente, diante dela, passando pelos mesmos caminhos de antes. Talvez não tenhamos nada a fazer senão andar. O desespero não resolve problemas desesperadores. Entendi realmente que era tudo uma questão de equilíbrio.

Cheguei então à conclusão que as pessoas que andam na chuva, calmamente e sem medo, calmamente e tranquilas, calmamente e aproveitando o momento, são sem dúvidas, mais felizes.

Elas sabem que correr não para a água que continua caindo, que segue insistindo em molhar. Elas conseguem ser elas mesmas quando o mundo não é o que se espera dele. Passei até a apreciar as poças! Quem sabe um dia eu deixe que elas me deixem passar!

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