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Cada um carrega suas dores!

Esses dias eu estava em um banheiro público e encontrei uma conhecida. Perguntei, como quem não quer nada, se estava tudo bem. Eu sabia de algumas coisas que ela estava passando, fiquei preocupada. Foi então que uma avalanche veio…

As resposta dela eram um mar, forte e violento, de palavras grosseiras e duras, que ela desaguava em mim sem nenhum medo de ser feliz. Na verdade, de um jeito bem infeliz…

Fiquei parada enquanto os tiros de dor eram disparados contra meu peito. Em cada palavra uma faca afiada era cavada em mim. Ela despejava tudo aquilo que estava sentindo, cuspia sua dor, jogava para fora toda a ira contra os eventos ingratos que aconteceram com ela.

E eu ali, parada.

Não tive reação senão ouvir. Não tive saída senão tentar ao menos ser gentil. Não tive escolha senão pegar nas mãos toda aquela dor que ela me dava e levar comigo.

Saindo do banheiro, disse um tchau amigo, desejei boa sorte em tudo e continuei andando, seguindo com as dores dela nas minhas mãos. Por onde eu fui elas me acompanharam. Trabalhamos juntas, almoçamos juntas, tomamos banho juntas. Eu e a dor que ela tinha transferido para mim. Era como se todo aquele peso agora fosse meu e, de fato ele era porque eu o deixava ser.

No fim do dia, já cansada, com as mãos doendo de tanto levar as dores dela, sem tocar minhas próprias feridas já que estava ocupada demais para isso segurando as delas, entendi que escolher sofrer ou não a dor do outro é a melhor saída para compreender de fato a empatia.  Entendi que eu podia sim escolher.

Porque empatia não era viver a dor do outro como se fosse minha no sentido mais literal da palavra, não era carregar o peso alheio como se fosse meu e se responsabilizar por um sofrimento que eu sequer sinto, embora sinta. Empatia era ouvir, abraçar, ajudar. Empatia era estar! O que eu estava fazendo era qualquer outra coisa, menos isso…

Eu queria guardar em mim o problema do outro porque me achava na obrigação de resolvê-lo. Mas eu nada podia fazer… Eu queria cultivar uma energia ruim, nascida de eventos ruins, porque eu julgava merecer isso. A questão é que ninguém merece isso.

Assim, fui de novo ao mesmo banheiro público e, em um ato de alívio, joguei descarga a baixo todas as dores dos outros que carreguei como minhas. Com as mãos finalmente livres, tive tempo de finalmente abraçá-los. Não os problemas, as pessoas. É que os pesos imobilizam os braços, ansiosos por compartilharem amor, por de fato viverem a empatia.

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