Skip to content

O SEU CORPO É SEU?

Spread the love

Existe um eu que mora em mim!

Durante muito temo – e, algumas vezes, ainda hoje – eu me via içada do meu corpo. É como se eu não habitasse nele e fossem necessárias muitas reformas para que o meu eu, nunca pronto, pudesse enfim morar em paz naquele lugar.

Meu corpo não satisfazia os meus desejos, não cumpria sua missão na terra, sua missão de ser bonito. Ele não mostrava, em toda sua exuberância, a beleza feminina que eu tinha. Eu não cabia dentro dele. Não conseguia me acomodar naquele lugar. Nada era confortável.

Os olhares das pessoas, as roupas, os sapatos, os brincos, a pele, o cabelo, meu Deus, o cabelo era a pior parte de todas. Tudo incomodava. Nada cabia direito naquilo que eu era e o meu corpo era o grande culpado por tudo isso.

Foi então que ouvi, de um colega, a solução dos meus problemas: eu deveria malhar bem e bastante, para assim ganhar “um pouco de bunda e de coxa”, que era o mais essencial para definir o corpo de uma mulher, segundo ele. Guardei a informação.

A partir dessa frase surgiram milhões de outras frases na minha cabeça. Frases sobre meu próprio corpo e sobre o corpo dos outros. Frases até sobre as próprias frases.

Pensei então no quanto àquela fala era corrosiva e tóxica, principalmente porque veio de um adolescente. Um homem adolescente. Um adolescente formando sua opinião sobre a vida. E ali, naquela frase, estava confirmado: o problema do corpo ia além de mim mesma. Era um problema social.

O fato é que eu não deveria fazer nada para mudar meu corpo. E fico feliz em saber que não fiz. Aquela determinada mudança ser o mais essencial para definir um corpo feminino não definia o meu corpo. Eu não deveria fazer nada com o meu corpo apenas para agradar um padrão pré-estabelecido. O padrão de um tipo de corpo que existe dentro de uma infinita possibilidade de interpretações que o termo corpo representa. Isso era triste demais, pesado demais para qualquer pessoa carregar, principalmente as mulheres.

Assim, despertei a ideia – que já estava começando a passar pela minha cabeça – de que meu corpo era uma morada. Meu corpo era a única casa na qual eu realmente habitava. Era o lugar onde eu podia viver minha existência e experienciar o mundo.

O meu corpo era a representação física daquilo que eu sou. A materialização dos meus pensamentos e sentimentos. O canal que me liga a vida. O meu corpo era eu.

Naquele instante entendi todos os processos que eu vivi até chegar aquele momento.  Tudo que precisei sofrer para compreender que não existe o belo, não existe o padrão, não existe a soma pesada dos pesos dos outros.

Existe um eu que mora em mim e se abriga no meu corpo. Sendo eu, a conta perfeita e infinita de uma existência. Conta essa que não pode ser medida, só vivida. Conta essa que ninguém paga, apenas eu. E no fundo nem é conta, é ser.


Pesquisando sobre o tema, descobri Valter Hugo Mãe e Natally Neri, dois vídeos que mudaram minha concepção sobre mim. Espero que mudem as suas também! Faça desse texto só um início…

Be First to Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

www.000webhost.com