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EU SOU MALUCA

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Alguns dias, nem a gente se aguenta!

Eu sou maluca. Não patológica, daquelas que precisam de tratamento. Mas “mentológica”, daquelas que precisam de estranhamento.

Represento o pior do pior de todos os tipos de malucas que pode existir: sou a maluca que parece normal. Costumo agir de maneira socialmente aceita com desconhecidos, sorrio sempre que exigem sorriso e falo educadamente “não, obrigada” quando não quero, obrigada! No entanto, quando me aproximo demais de alguém, quando ganho aquela tão inoportuna “intimidade”, um animal dentro de mim se solta da coleira e, desenfreado, parece querer devorar o mundo a sua volta.

Ele é feroz! Além de perigoso, possui traços de criança, trejeitos infantis que o fazem agir com comportamentos inesperados, incompreendidos e até imaturos. Ele fere, morde, mata e morre, mesmo que nunca morra de fato.

Mora aqui dentro de mim há muito, muito tempo… Um dia, foi apenas uma lenda, ouviu-se falar que ele existia; depois virou sombra, poeira leve que corria atrás de mim e, hoje, forte e bem alimentado, deixa a mostra de todos o caráter de sua realidade.  Ele é realmente feroz!

Descobri sua aparição certeira sem querer, distraída, olhando a vida. Quando dei por mim, ele havia devorado inclusive minha mão. Foram-se dedos, foram-se anéis, foi-se tudo; o braço só ficou porque se escondeu. Perdido na mão, o riso coitado, foi engolido sem querer.  Assim, como a leveza e a pequena da paz, tadinha, que se embrenhou entre as unhas até sumir.

Assim, entendi que o monstro aparece, forte e barulhento, sempre que é preciso expressar um sentimento ou admitir uma fraqueza. Isso não quer dizer que ele também não esteja presente no dia a dia, em afazeres comuns. O animal da loucura está sempre lá, expressado em frases de desculpas e exageros, mostrado em culpas e sentimentos de desamor, refletido em medos de ser quem se é e de viver. Ele está sempre lá. Ou melhor, aqui.

Pergunto-me se ele e eu somos a mesma pessoa, já que moramos no mesmo lugar. Mas é difícil dizer. Nem tudo aquilo que se é, se é de verdade. Às vezes a gente nem é aquilo que realmente parecer ser e ainda assim é bem mais que isso… No fim, talvez a gente seja mesmo um pouco um do outro. Eu sou um pouco do mostro, o monstro é um pouco de mim. Como filhos, que são um pouco daquilo que são os pais, mas não são os próprios pais em si.

Quem sabe o monstro da loucura não tem uma missão a cumprir em mim? Prefiro acreditar que ele existe para me tornar mais forte, para me mostrar a leveza da vida e me fazer mais gentil; para me ajudar a enxergar o quanto sou altamente capaz de tudo e dar garra nos dias em que é difícil ser uma pessoa melhor.

Não tenho alimentado o monstro com muita frequência, mas fico de olho nele. Jogo de longe uma carne, de vez em quanto. Não quero perder a outra mão que me resta.

Quem sabe eu sou mesmo maluca! Mas quem não é, não é mesmo?

Cada um tem seus próprios monstros!

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