E AI, VAI CASAR QUANDO?

E AI, VAI CASAR QUANDO?

Nossas escolhas são nossas!

Depois de uma semana conturbada onde metade dos meus amigos nas redes sociais resolveram casar, todos ao mesmo tempo, todos no mesmo final de semana, fiquei com uma pergunta na cabeça. Uma pergunta chata, repetitiva e incômoda, que estava lá sempre que eu parava para fazer coisas como escovar os dentes, enfrentar uma fila ou tirar uma xerox. Uma pergunta que chega para todo mundo.

Uns a fazem cedo, outros deixam para mais tarde, alguns ainda talvez nunca se façam ou finjam não ouvir quando a voz interior pergunta insistentemente. Uma pergunta social ou individual. Depende do ponto de vista. Uma pergunta que todo mundo deveria fazer, sem medo, sem pressões. Só fazer. Então, me fiz.

O segredo é olhar firme, seguro, no fundo dos próprios olhos, lá no cantinho certeiro da alma, e dizer de maneira direta: Você realmente quer casar?

Em meio à confusão que essa pergunta traz, perguntei nas minhas redes sociais o que as pessoas pensam quando são confrontadas com a pergunta: “E ai, vai casar quando?”. As respostas foram as mais variadas possíveis. Os homens, em geral, disseram que casariam quando tivessem dinheiro, as mulheres, por sua vez, na grande maioria, responderam que isso é problema delas e de mais ninguém.


Resposta das redes sociais.

Apenas uma pessoa, uma, assumiu que se sente desconfortável porque seu sonho é realmente casar e quando alguém faz esse tipo de pergunta ela percebe estar longe de realizá-lo. Nem preciso dizer que essa resposta tocou fundo em mim e me fez repensar todas as minhas teses e teorias sobre casamentos. Outra pessoa – e foi um homem, preciso grifar isso – respondeu se sentir pressionado pela linha reta a qual somos obrigados a traçar na vida, como se casar fosse uma obrigação social e não uma livre escolha da alma.

E eu… eu descobri que hoje sou o combo dessas duas respostas.

Parece absurdo hoje querer casar. Ainda parece absurdo hoje não querer casar. Tudo hoje parece absurdo. Tudo hoje parece grande demais. Pesado demais. E, nesse ciclo infinito – onde o querer do outro por muitas vezes se sobrepõe ao querer do individuo – casar tornou-se um grande mostro. Um grande enigma a ser desvendado no máximo até os 30 anos, depois disso, sinto informar, o prazo de validade social venceu. O plano ideal de vida, idealizado pela sociedade, sonhado por aqueles que te cercam, deve ser a voz mais forte gritando em seus ouvidos. E assim, não importa qual seja sua escolha, você precisa escolher o que os outros decidem por você.

Sem dúvida, sem discussões, a sociedade cobra de nós o casamento porque acredita que apenas ele é o caminho para a felicidade plena. Na contra mão disso, hoje podemos olhar o horizonte de uma maneira mais otimista, enxergando outras possibilidades, descobrindo que o amor deve ser experimentado, escolhido e não entubado, não obrigado socialmente. O único amor que deve ser cobrado é o nosso próprio amor, não o do outro. Não o amor como uma muleta social. Principalmente para nós mulheres, que brilhantemente aprendemos a dizer não a tudo aquilo que não cabe mais no nosso tamanho.

Resposta das redes sociais.

Sempre ouvi boatos sobre a pressão social. Confesso nunca ter acreditado nela. Mas olha, está mais viva do que nunca a danada. E, nesse confronto de escolhas, entre o mar das opções dos outros, decido pelos meus próprios caminhos, sejam eles quais forem.  

Estou em um relacionamento maravilhoso, onde me sinto ainda mais completa e realizada. Não há o que me queixar. E, dentro desse amor bem vivido cabe sim um casamento. Cabe a ideia de uma vida inteira partilhada, de vidas seguindo juntas o mesmo caminho, até de filhos se acontecer deles aparecerem. E seremos muito felizes, como já somos. Seremos inteiramente felizes o tempo que essa relação durar, mesmo que não seja para sempre. Seremos felizes casando ou não, porque não precisamos disso para nos definir como pessoas.

Seremos nós mesmos apesar de tudo que digam que precisamos fazer ou ter para isso.

Casar vai ser uma consequência desse amor e não uma escolha que fizeram por nós. E virá no nosso tempo, no espaço, nascido das nossas certezas. E será finalmente nosso. Apenas nosso.

Essa semana entendi que decisões são aquelas coisas intimas, que tomamos acompanhados com uma boa taça de vinho, junto a quem realmente interessa.

Então, quando te perguntarem de novo, “E ai, vai casar quando?”, responda apenas se esse alguém somar. Se não, sua escolha só diz respeito a você mesmo. Realmente, ninguém tem nada a ver com isso.

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