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A ARTE DE ESQUECER O INESQUECÍVEL

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É preciso viver o presente!

Esses dias eu viajei a trabalho. Um dia inteiro de treinamento em outra cidade.

Tudo planejado: horário para acordar marcado às três e meia; a roupa passada do lado da cama, já pronta para vestir; a sandália do lado da roupa, já pronta para calçar; a bolsa em cima disso tudo, já pronta para pegar; celular bem carregado, para não precisar deixar na tomada durante o curso e, na geladeira, um iogurte e um bombom, que eu deveria pegar antes de sair, assim que desse cinco da manhã e o carro com o pessoal do meu setor chegasse.

Resultado: dormi até às quatro e meia porque esqueci de colocar o celular para despertar e só acordei porque meu pai, um homem bom e com um relógio biológico melhor ainda, me chamou. O desespero do atraso me fez levantar correndo, tomar banho correndo, pegar uma blusa correndo (não sei por que peguei uma diferente da que eu tinha separado antes) e esquecer, na geladeira, o iogurte e o bombom. Além, é claro, de atrasar todo mundo da equipe em uns cinco minutos junto comigo.

Assim, passei o dia morrendo de calor porque usei um casaco ao invés de uma blusa fresca e morrendo de fome até o café porque não levei nada para beliscar na estrada. Assim, comecei a pensar no quanto era mais importante o caminho do que a chegada em si. Por que, convenhamos, de que me adiantava ter tudo no lugar certo se eu não estava acordada? A roupa do lado da cama, a sandália do lado da roupa, a bolsa em cima de tudo não me servia de nada se ao invés de usá-las eu estava dormindo.

Meus planos eram apenas planos, sem nenhuma força de realidade à medida que eu não os realizava. Era como se a vontade de viver o amanhã sufocasse a oportunidade única de ter vivido no ontem o hoje que me esperava. Deixar para trás o bombom e o iogurte era apenas a consequência rala de não ter lembrado do agora.

Por isso, pensei no quanto o tempo presente, esse momento do aqui, eternizado no hoje, é singular. Pensei no quanto a ansiedade tira dos nossos olhos a beleza das estradas, deixando a aflição do horizonte – que é tão longe, tão distante de nós – ser a única coisa que vemos, vagando como a poeira da possibilidade de algo que ainda vai ser. Que só vai ser quando a gente de fato for.  E que talvez nem seja se estivermos dormindo quando a vida viver do nosso lado…

Por isso, espero que a gente viva mais o presente. Espero, realmente, que na próxima viagem eu não esqueça o despertador!

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